Moïse achou a guerra.
Você caro leitor, provavelmente nunca foi ao Congo, talvez
nunca tenha ouvido falar. A República do Congo é desconhecida para muitos
brasileiros, mas é considerado um país de grande importância para o continente
africano, principalmente pelos seus recursos naturais.
Localização bastante
privilegiada para o continente. A história do lugar é de luta, já nos anos de
1960 o Movimento Nacionalista, liderado pelo Patrice Lumumba, levou a
independência da Bélgica, do qual era colônia e passou a se chamar República do
Congo.
O país hoje se atola em milícias armadas, instabilidade constante sendo
agravado por muita violência, e, principalmente a fome que assola
vergonhosamente a nação. Estes foram os principais motivos para que os seus
nascidos deixassem o país para buscar novos horizontes.
Foi o caso do Moïse
Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, reconhecido pelo Estado brasileiro como refugiado
em 2012, morto brutalmente, violentamente, estupidamente por 05 homens.
Ironicamente, se não fosse trágico, foi morto exatamente por cobrar uma dívida
trabalhista que apaziguaria a fome da sua família naquele momento.
A morte do
Moïse representa o pensamento conservador, ao espancar o congolês, os
assassinos, no seu pensamento histórico, acreditaram estar assassinando os
negros, os homossexuais, as mulheres, os ciganos e os latinos, ódio
historicamente destinado às minorias.
O que não podemos esquecer é que o Moïse
veio fugido da fome e da guerra, como os italianos, portugueses e tantos outros
que tiveram um tratamento diferente, foram acolhidos. Quando se trata de latinos
e africanos a acolhida é historicamente regada de exploração, preconceito,
violência e desprezo que é o sentimento de repulsa.
Os brasileiros pouco
conhecem a República do Congo, mas o mundo inteiro agora, conhece o Brasil, pela
atrocidade cometida no quiosque Tropicália. Curioso é que o movimento
tropicalista, fundado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e
outros músicos, foi um movimento pela paz, pela música e harmonia. Jamais
incentivaria um ato de extrema-direita como esse. Caetano Veloso já manifestou
sua indignação com o ocorrido.
Indignar contra atos brutais e covardes deve ser
o nosso papel sempre. É preciso manifestar o nosso repúdio, a nossa indignação e
cobrar justiça constantemente, até que seja solucionado o caso, não que vá
trazer o Moïse a vida, mas para dizer um, basta a violência de raça, ostentar
que não somos condizentes com a barbárie.
Não podemos esquecer que o país é
dirigido pela extrema-direita, que alimenta constantemente o sentimento de
repulsa em relação a negros, latinos e homossexuais. Qual declaração o governo
brasileiro disse sobre esta atrocidade? Concorda com ela, ou a incentiva.
O juiz
Marcos Peixoto, do Rio de janeiro se manifestou nas redes sociais, via twitter,
o sentimento da maioria dos brasileiros ao dizer que “divulgadas as filmagens do
brutal homicídio de Moïse. Sou juiz criminal há quase 25 anos e nunca vi tamanho
ódio descarregado numa cena só. Sem palavras...”
Este ódio é o mesmo destilado
pelo conservadorismo exacerbado aos que pensam diferentes, é o mesmo ódio
cultivado e incentivado pelo governo de Jair Bolsonaro.
Quando um presidente da
república coloca como meta de seu governo a liberação de armas, ameaça
exterminar grupos contrários ao seu pensamento, comete inúmeros crimes e não é
barrado pelas instituições que pode controlá-lo, alguns imbecis acreditam que
tem o direito de fazerem o que querem. Denominam “justiça” as atrocidades
cometidas contra as minorias. Apesar de ter fugido da guerra, Moïse achou a
guerra de classes, da ignorância e do ódio.
Indignada
ResponderExcluirO racismo estrutural está enraizado na sociedade. Não podemos aceitar tamanha barbárie.
ExcluirComo não se indignar por tamanha barbárie, nem consigo ver as imagens.
ResponderExcluir✊🏿✊🏿✊🏿 Moisés Vive
ResponderExcluira completa banalização da barbárie
ResponderExcluirOntem eles vieram e levaram alguém. Hoje levaram o Moise. Amanhã, se um limite não for imposto, poderão me levar, levar você.
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