Poesia do mês - Abril - O velho e o caminho

 




O velho e o caminho.

 

Vilmar Oliveira

 

Um velho caminha por uma estrada longa, caminho longo, 

levando na bagagem suas memórias, 

carregadas também de espinhos.

 

Lembra ele dos tempos de moço, onde o sol brilhava na janela,

 - parede feita de adobe cru – por trás dos longos cabelos loiros da Mariazinha.

 

Lembra eles dos filhos jogando bola, feita de meia, pano e embira, 

no quintal de terra, no terreiro da cozinha.

 

Lembra ele dos patos, gansos e galinhas que ciscavam, 

perto das bananeiras, próximo do riacho, no quintal da vizinha.

 

Um homem maduro, de cabelos brancos, que caminha pela estrada, 

percebe o quanto aprendeu no caminho até chegar ao destino, 

envelhecido do corpo, cheio de conhecimento, descaminhos.

 

Alguns chamam de velho, outros de gaga, os teimosos chamam de caduco. 

Quem percebe beleza na poeira o denominam mestre e ele...

... segue seu longo caminho.



Comentários

  1. Que belo poema, Vilmar! Quanta sensibilidade para tratar de uma etapa da vida tão cheia de preconceitos numa sociedade idadista, que tanto valoriza a eterna juventude física e comportamental, como a que vivemos. Lentes como a sua e compartilhadas como poesia, são instrumentos valiosos para construirmos uma sociedade para todas as idades. Lindo, lindo! Um forte abraço, Andréia Ribeiro

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  2. Que poema delicado e acalentador... O tempo passa, como passa rápido e segue pleno em sua sabedoria. Parabéns Vilmar, abraços.

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